O nascimento de um projeto.

O nascimento de um projeto. 1024 747 Mundo pra Elas

Inicío este blog contando um pedacinho de uma história que começa bem lá atrás…

Foi no começo dos anos 80, eu devia ter perto de 9 anos, se bem me lembro a primeira vez de muitas, que meu pai falou que queria comprar um ônibus, montar um motorhome e sair para viajar com minha mãe. Pensava eu, porque só com ela? Seria tão legal irmos juntos. Mas, antes disso, quando eu ainda era bem pequeno, ele já havia me dado o gostinho de viajar de trailer, quando alugou um para passarmos férias. Meu irmão do meio, estava com apenas 4 meses e o mais novo não era nem projeto!

Depois, quando mais velho, uma outra vez meu pai resolveu alugar outro trailer para fazermos mais uma viagem em família. Eu havia acabado de passar no vestibular em Curitiba, iria me mudar e morar sozinho, pois, naquela época, morávamos todos em São Paulo e esta seria a viagem de “despedida”. Não sei por qual o motivo exatamente, mas o fato de termos a “nossa” casa junto com a gente o tempo todo era uma das coisas que me despertava maior interesse.

Dessa viagem, eu já com 18 para 19 anos, tenho diversas recordações. Tínhamos uma Veraneio, toda equipada, eu havia tirado carteira de habilitação há pouco tempo e foi uma das minhas primeiras viagens na “boléia” a maior parte do tempo, por diversas estradas do Brasil. Como era bom dirigir na estrada! Peguei o gosto pelo asfalto. A sensação de liberdade é muito boa. Fiz outras inúmeras viagens de carro e moto, dirigindo por diversas horas e apreciando as paisagens. Várias sozinho, várias com amigos, mais algumas depois de casado e nem tantas ainda depois das 2 filhas.

Mas comecei contando tudo isso, pois depois de mais de 20 anos, um dia na internet, li uma matéria que falava de overlanders e de como a vida mais simples que a maioria acaba levando por estar na estrada era compensadora em diversos sentidos. Neste momento lembrei das viagens em família e de como elas haviam me marcado. Momentos passados com meus pais e meus irmãos que estarão para sempre em minha memória. De como eu gostava de estar na estrada e de como tinha histórias para contar das viagens que fiz.

Talvez um pouco descontente com a forma que estava levando minha vida, onde o trabalho estava tomando todo meu tempo e não estava conseguindo acompanhar da forma que gostaria o crescimento de minha filha, veio a certeza de que precisava mudar alguma coisa. Com essas lembranças na cabeça, pensei em fazer uma viagem longa com minha família, mas daí bateu a loucura e me perguntei:

– Porque não ter uma vida mais simples e fazer o que realmente mais gosto? Estar com minha família e viajar, vivendo em um motorhome?

Mas a razão fez-me pensar:

– Como fazer isso de forma continua? Com que dinheiro? E o trabalho? Escola das pequenas? Será que minha esposa toparia? Fui pra casa e fiquei com isto na cabeça por alguns meses.

Fui conversar com a Camila, minha esposa, um tempo depois e num primeiro momento ela não se opôs a ideia, mas não me deu muita atenção, mesmo porque estava com sua mãe doente e por mais que achasse que devíamos estar mais tempo juntos e que viajar seria tudo de bom, ficava difícil imaginar-se na estrada, longe da mãe que precisava de sua ajuda. Durante minhas pesquisas pela internet, comecei a encontrar e seguir alguns viajantes e descobri o homeschooling. Perguntei pra ela, que é pedagoga, o que ela acharia de educarmos nossas filhas em casa?

Acredito que após este questionamento e o falecimento de minha sogra, ela começou a ver que minha ideia “meio maluca” tinha algum sentido e poderia ser viável. Agregando a isso as mudanças que ela também já estava querendo fazer na forma como estava levando sua profissão. Desde então começamos a pensar juntos em como poderíamos fazer para viabilizar este projeto e diversas ideias foram surgindo.

Paralelamente comecei a me interessar cada vez mais pela pedagogia, pois sempre acreditei que somente através de educação podemos ter um mundo melhor. Começamos a assistir a documentários sobre educação, homeschooling e vimos que diversos projetos transformadores estão acontecendo pelo mundo.

A partir daí tudo foi se juntando e fazendo mais sentido. Tínhamos que conhecer cada um destes projetos e além de divulgá-los, poderíamos unir o nosso conhecimento para ajudar outras escolas, professores e outros pais a realmente fazerem a diferença na educação de nossas crianças.

Agora o projeto já tinha um propósito ainda maior que uma viagem em família. Poderia, realmente, mudar a nossa vida e, talvez, a de diversas outras pessoas. Com isso em mente começamos a pensar em que nome daríamos ao projeto. Queríamos algo que lembrasse não só as nossas filhas, mas todas as crianças as quais pudéssemos vir a ajudar.

Lembramos então, que em diversos momentos quando pensávamos em ter filhas, falávamos que queríamos dar um MUNDO PRA ELAS, mas com este projeto quem sabe poderemos dar um MUNDO melhor para todas ELAS, as crianças! Queremos muito contar com a colaboração de todos os que se sentirem tocados por esta causa e esperamos poder incentivar mais famílias, escolas e educadores pelos quatro cantos do planeta!
Vem com a gente!

Stephan Rangel

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